0800-941-7591 / (61) 3578-8080FAQ - Perguntas Frequentes

Seja um Associado
A- A A+

Continuar trabalhando é opção de aposentados para complementar renda

21 dez 2018

Maria Aparecida Freitas, ou dona Cidinha como é chamada, se aposentou em 1999, um ano depois que a antiga Telesp (Telecomunicações de São Paulo) foi privatizada e adquirida pela empresa espanhola Telefónica formando a Telefônica Brasil. Na época, ela era supervisora técnica de serviço na estatal.
Desde então, ela passou a complementar a renda fazendo uma das coisas que mais gosta: cozinhar. O hobby, que passou a ser profissão, gera um dinheiro a mais no fim do mês e ajuda a pagar as contas.

Ela, que tem 63 anos, cozinha em casa, mas também presta esse serviço na residência dos clientes quando é chamada para algum evento. Uma feijoada, por exemplo, para 15 ou 20 pessoas, sai, em média, R$ 200. Outras especialidades de Cidinha são comida mineira e churrasco.

É com esse dinheiro que ela ajuda a pagar a escola da neta. Segundo dona Cidinha, não tem faltado serviço e no fim de ano, o movimento aumenta. Só que ela passou por uma cirurgia recente para a retirada da vesícula e as encomendas estão sendo repassadas para a cunhada dela.

Cidinha faz parte de um grupo, o de pessoas que seguem exercendo alguma atividade profissional mesmo após a aposentadoria. De acordo com um levantamento realizado em todas as capitais pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) mostra que sete em cada dez idosos (70%) estão aposentados.

Desse total, 21% continuam trabalhando e uma das principais razões é o fato de a renda não ser suficiente para pagar as contas (47%). Já 48% disseram que querem se sentir produtivos nessa fase da vida e 46% buscam manter a mente ocupada.

Esse caso é o do aposentado Antonio Soares Pereira. Ele tem 62 anos e está aposentado há três. Pereira é funcionário de uma usina de cana e açúcar de Araçatuba, onde trabalhou por vários anos. Foi nessa usina que ele se aposentou, mas foi convidado a continuar. O motivo de seguir trabalhando até hoje é para não ficar parado.

Além desses dados, 43% dos entrevistados reconhecem que tiveram dificuldades em conseguir uma oportunidade, principalmente por enfrentar preconceito com a idade avançada (30%).

Por outro lado, 57% afirmam não ter tido problemas em conseguir trabalho. Quando questionados sobre até que idade pretendem trabalhar, mais da metade (61%) não soube definir ao certo. Para os que sinalizaram ter uma perspectiva em mente, a média é de 74 anos.

Apesar da questão financeira ser um ponto relevante para aqueles que optam por não parar, 76% dos idosos encaram o trabalho de forma positiva nessa fase da vida. Tanto que um terço (30%) destes menciona sentir satisfação por estar trabalhando e poder produzir, enquanto 20% têm orgulho de manter sua independência, ao passo que 18% disseram gostar do que fazem e ainda possuem muitos projetos a serem realizados.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os dados refletem um novo cenário com o aumento da expectativa de vida no Brasil. “Percebe-se, muitas vezes, que os idosos não se prepararam para este momento e os ganhos com a aposentadoria acabam não sendo suficientes para manter o padrão de vida desejado. Mas já enxergamos uma mudança na visão de grande parte dessas pessoas, que começam a encontrar um sentido especial no trabalho por se sentirem mais produtivos e independentes”, ressalta.

Fonte: http://www.folhadaregiao.com.br/2018/12/16/continuar-trabalhando-e-opcao-de-aposentados-para-complementar-renda